" Ontem eu vi-te de mãos dadas com outro rapaz. Ele era.. da hora. Mas ele segurava nas tuas mãos de maneira errada e ele deixou-te andar do lado de fora do passeio. Olha, eu sei que acabei contigo dizendo que queria curtir. E curti, curti muito, muito choro e muita gente disse que eu era idiota. Eu podia ter-te feito tão feliz. Eu deveria ter sujado a tua boca com gelado, eu deveria ter-te posto no meu colo e ter-te jogado para a areia na praia. Lembras-te quando cortaste o cabelo e eu não disse nada? Eu deveria ter dito que aquele corte te deixou mais linda, que quando o vento batia nos teus cabelos e tu olhavas para baixo eu tinha a certeza de que queria ficar contigo para sempre. Eu não estou a mentir, tentei por vezes criar coragem e vir até aqui. Chama-me de burro, vai, chama. Chama-me de burro por não ter visto que o teu sorriso era o mais lindo do mundo, por não ter visto a curva dos teus cílios quase a tocar nas tuas sobrancelhas. Bate-me, vai. Bate-me por te ter feito chorar. Vai, bate-me. Por favor. Faz-me lembrar que tu adoravas chocolate branco e eu só te comprava preto. Discute comigo por eu nunca ter usado a camisola que me deste, vai, discute. Eu deveria ter segurado a tua mão com força. Eu deveria ter beijado a tua testa enquanto podia. Eu deveria ter aberto a porta do carro para ti. Todas as tardes que joguei playstation, eu deveria ter deixado tudo de lado e ter ido ver-te sorrir. Aquele teu vestido azul, tu usavas sempre porque combinava com a cor dos meus olhos não é? E eu nunca percebi. Eu nunca percebi o jeito que tu mexias os dedos um de cada vez e que aquele nada, eras tu a explodir de ciúmes. Eu nunca deveria ter largado a tua mão para segurar o copo de bebida, nunca. Eu não quero que me desculpes, eu não mereço. eu só vim aqui ver se estavas com alguém porque eu quero dar um soco na cara dele. estás a ver? estou a ser ridículo de novo. Mas eu não consegui ver-te segurar a mão de outro rapaz. Apertaste a mão dele tal como apertavas a minha? Mordeste a mão dele? Diz-me que ele te está a fazer sorrir. Diz. Diz-me só se ele te faz feliz. Olha, se não me amas mais, tudo bem, podes pegar na vassoura e expulsar-me da tua casa. Mas se ainda te lembras do dia em que eu te joguei uma almofada na cabeça, tu mandaste-me o comando da televisão porque mudei de canal, logo em seguida eu tirei as nossas alianças do bolso, pedi-te em namoro e tu disseste que não querias ser minha namorada e sim minha mulher, então por favor, se te lembras desse dia, se te lembras da tua blusa rosa suja de brigadeiro e do teu bico de amuada porque eu disse que a dançarina do faustão era bonita, sorri para mim, pela última vez, sorri para mim. Eu juro que te esqueço, que não te pertubo mais e paro de mandar sms em todas as horas iguais, mas sorri para mim. Deixa-me, pelo menos esta noite, dormir feliz por te ter visto sorrir. Eu vou embora… E desculpa-me, eu não mereço nem o teu sorriso.”

Sabes qual é o nome que se dá a isto? Arrependimento. Aquilo que tu vais sentir  quando vires tudo o que deixaste por fazer, mas principalmente, por sentir.








Sinto em mim um vazio, uma dor, uma falta de algo que já não está.
Vivo constantemente com essa dor, com falta dos meus, do meu tal, na verdade, do meu verdadeiro "eu".
Sinto-me assim dês que a pequenita Ju começou a crescer, a aprender que nada na vida é certo, que devemos confiar desconfiando, dês que aprendi o que é ser amada e magoada, dês que senti o que é ficar sem alguém que é tudo na nossa vida. Podia dizer "era tudo", mas seria esconder uma realidade, um sentimento, algo tão forte que ainda está muito presente.
E é por essas coisas, que eu sou daquelas que senta na areia, a ver o mar, a recordar, a imaginar como seria se tudo tivesse sido diferente, como seria se "aquela pessoa" ainda estivesse ao meu lado, mesmo ali sentado ao meu lado, como já teve, naquela areia. A repetir várias vezes "nunca deixarás de ser a minha pequena".
É, eu tento esconder, mas eu ainda te sinto, para onde eu vou tu estás em tudo, tudo me faz lembrar o nosso velho "nós", ainda sinto a tua falta, mesmo sabendo que agora és a pior pessoa do mundo.
E o que eu acho ainda mais curioso, é que muita gente julga-me forte, julga que o meu sorriso é sempre sincero e nunca forçado, mas caramba, eu sou como toda a gente... Sorrio para não chorar, escondo sorrisos no meio de duas lágrimas, sorrio destruída por dentro. Acontece várias vezes, mesmo tentando-me convencer que não.
És mesmo tu o motivo das minhas noites mal dormidas, do meu choro baixinho enquanto tento dormir, das mensagens guardadas e lidas todos os dias, dos sorrisos escondidos, da música deprimente, da parte infeliz da minha vida.
Sim, porque apesar dos nossos momentos, dos momentos mais lindos que já tive, tudo o que passamos depois foi como se os tivessem enterrado.
Quando perceberes que não é um cigarro, uma vodka, uma menina num bar a desafiar-te que faz sentido, que eu sou quem tu queres, que nunca vais encontrar alguém que lute por ti como eu lutei, aí vais procurar-me, e sabes que mais? Quem vai atender a tua chamada ou responder á tua mensagem, irá ser outra pessoa, outra pessoa que me irá fazer feliz a todo o tempo, como tu não foste capaz de fazer!
E aí, espero que sofras o triplo daquilo que eu sofri.